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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Primeira Posição


http://www.ballet-pointe.com/Ballet-positions-ballet-terms.html
Fonte Imagem: ballet-point.com
Fácil, é só parar e abrir os pés como os palhacinhos de desenhos animados e por os braços como se estivesse segurando uma bola do Quico.
Mera ilusão...
Estou pra dizer que fazer uma primeira posição bem feita é até mais difícil que uma quinta posição.
Na quinta posição os calcanhares se seguram, se ajudam e por mais que não feche agora, com os tempos tende a melhorar.
Falando em primeira posição de pés, seria óbvio começar falando dos pés, rs, mas não iremos (a loka)!
Começaremos por cima:

-Pescoço alto, destacado do corpo e para cima, nada daqueles pescoços de tartaruga, pronunciados pra frente.
Imagine que alguém esta pondo um dedo na frente do seu nariz e se aproximando , enquanto você esta encolhendo a cabeça pra trás, para não ser tocada.
A linha do pescoço tem que ser reta continuando a coluna.

-Ombros rotacionados para trás encaixados, braços firmes, seja em preparatória ou em primeira posição (depende do método), sinta os músculos dos braços e de trás das costas endurecerem. Sinta uma dorzinha  embaixo da axila, uma resistência ali.

-Peito pra cima, bailarina tímida fica em casa! Você é uma princesa, uma camponesa escolhida pelo príncipe, um cisne enfeitiçado, uma rainha, uma fada, uma cigana ou seja, você é poderosa então se coloque de acordo.

-Fechar as costelas ou o externo: eu demorei anos pra realmente "sentir" que estava fechando as costelas propositalmente, por muito tempo eu apenas prendia a barriga pra dentro. Mas é mais que isso, é mais pra cima, é um "prender a barriga" logo abaixo dos seios, quando você consegue, percebe que a cintura afina, é impressionante!

Importante : Respire!! rsrs (sempre me esqueço desta parte)

-Precisamos também prender o abdominal pélvico. Que é aquela parte da barriga, abaixo do umbigo.
É daí que começa o en dehors !
Quando prendemos esta parte, elevamos a crista ilíaca (wtf?), que são aqueles ossinhos que ficam saltadinhos na frente, no início do quadril:

Quando você pensa em colocar esses ossinhos pra cima, automaticamente você sente o seu bumbum "prendendo"; sendo apertado na parte de baixo. 
Ou seja, quando ouvir aqueles gritos delicados de professores :- "Prende esse bumbum!!!! ou Encaixe esse quadril!!", ao invés de pensar em apenas apertar o bumbum, pense em começar a contração pela parte de baixo do bumbum, sentindo os ossinhos (crista ilíaca) subirem.
Falando de uma forma mecânica, isso facilita a rotação da cabeça do fêmur dentro do encaixe da bacia, fazendo sua coxa ficar en dehors.

A partir de uma coxa en dehors, aí vamos para os joelhos.
Tente mantê-los esticados ao máximo ( se você tem perna em X, falaremos disso em outro post), e rotacionados pra fora.

Importante : Respire!! rsrs

Só agora chegamos nos pés:

-O limite do en dehors dos pés é até onde a ponta do joelho acompanha no plié.
Não adianta virar o pé pra fora igual um curupira e quando fizer um plié, seu joelho apontar pra frente.
Isso vai fazer você torcer o joelho, provocando dores e lesões!! Cuidado!
Abra os pés nesse limite, com o tempo isso tende a abrir mais, a melhorar mais. É um processo lento e que exige persistência e força.

-Não se pode deixar o arco do pé cair pra dentro e pronar os dedinhos pro ar.

-Tem que pisar totalmente do lado de fora da planta do pé, os dedinhos precisam estar cravados no chão.

Importante : Respire!! rsrs

Então, este texto enooooooooorme apenas pra ficar parada em primeira posição por alguns segundinhos.
Fácil assim, rs!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Quanto tempo leva...

OK, me matriculei no ballet essa semana. Quando começarei a fazer os tais 32 fouettés??



Se você já é aluno há pelo menos 1 ano, vai rir de uma pergunta como esta, caso esteja começando e tenha uma dúvida parecida a resposta vem abaixo:

Assim como um bebê, que aprende primeiro a ficar sentado, depois a engatinhar, depois fica em pé, depois a arriscar passos tímidos para então sair correndo, no ballet a evolução é a mesma.

Precisamos reaprender a parar em pé, adquirir a postura adequada, encaixar minimamente o quadril, abrir uma primeira posição en dehors, depois conseguir torná-la uma quinta posição satisfatória, aumentar a profundidade do plié, fazer um cou-de-pied  en dehors, que evoluirá para um passé en dehors alto (no mínimo na altura do joelho de base), depois muitos relevés, controlados na subida e na decida, então começamos os giros,1 pirueta, 2, 3... Soma-se força, agilidade, equilíbrio, coordenação.
Aí começamos uma segunda etapa, rond de jambes à terre, en l´air baixo, en l´air mais alto, en l´air 90°, en dehors e mais en dehors, sustentação de developpés e mais um tiquinho de en dehors,rs.

Agora juntamos essas 2 coisas e temos os ingredientes "básicos", pra fazer uma tentativa de 1 fouetté.
E isso, só contando com a parte inferior do corpo, nem entramos no mérito de tronco, braços e cabeças que são extremamente necessários.

Acho que já dá pra começar a fazer seus cálculos agora, baseado na sua performance atual de quando é que as coisas vão acontecer no seu estudo.

Esse post não é pra desestimular ninguém, mas para conscientizar.

O estudo do ballet clássico, é árduo, progressivo, construtivo e muitas vezes lento.
É um castelo de cartas, onde cada carta precisa ser estudada e meticulosamente colocada, para servir de base para o próximo andar. Colocou uma carta de qualquer jeito lá embaixo, os próximos andares serão instáveis e podem até desmoronar (leia, lesionar).

Alguns alunos (e até professores mal preparados), querem pular etapas do aprendizado, que são essenciais para a correta execução dos movimentos.

Aprender uma etapa corretamente, previne lesões, deixa o movimento mais limpo e mais bonito.
Aprender passos "de qualquer jeito", cria vícios difíceis de serem tirados depois.
Sem contar a possibilidade de lesões.

Por isso, respeite seus limites, seu corpo e as instruções dos seus professores.
O corpo precisa se moldar pra que as execuções saiam corretamente e isso leva tempo.
Não reclame das infinitas repetições do mesmo exercício, ele tem uma razão para estar sendo feito.
Pesquise aulas de academias renomadas no You Tube e verá grandes nomes da dança atual, fazendo aula na barra e vai se surpreender de ver muitos movimentos que você faz na sua aula. Pliés, grandpliés, relevés e todo o resto.



Tudo tem seu tempo.
No ballet, ele vai de 1 a 8 rs  ;)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Bailarina(o) não fala!


Bailarina(o) não fala!

Quem já ouviu isso?

A arte do ballet se resume a dança e representações mímicas durante o espetáculo em cena, é verdade.

Mas o assunto a ser abordado aqui hoje será outro.

Trataremos de humildade e respeito ao professor.

Faça o primeiro grandplié quem aqui nunca ouviu ou proferiu frases em suas aulas/ensaios como:

  • -Professora, isso é muito difícil, muda o exercício.
  • -Esse exercício é chato.
  • -Na outra escola eu fazia assado e não assim.
  • -Antes a coreografia era pra direita, porque mudou pra esquerda? Eu preferia pra direita.
  • -Por que fulano esta dançando lá na frente?
  • -Eu errei, porque na hora eu olhei fulana, ai então pensei bla bla bla.
  • -Há isso eu faço assim, porque eu tenho o ligamento curto, então não consigo bla bla bla.


Enfim, questionamentos sobre as decisões da coreografia, desculpas esfarrapadas pelos erros que cometemos, quando somos corrigidos, reclamações sobre o exercício proposto...

Enquanto alunos, precisamos aprender a escutar e seguir comandos sem questionar muito ou dar desculpas.

Os alunos podem (e devem) perguntar sempre quando tiverem dúvidas sobre a execução de algum exercício ou sequência,  é uma situação diferente.

Se o professor chama sua atenção durante um exercício: "Fulano, cuidado com os joelhos no grandplié, lembre-se de abrí-los sempre pra não forçar a patela"; e o aluno responde: - "Sabe, é que meu pé prona pra frente e ai meu joelho fecha e bla bla bla!".
Agora respondam: Do que essas desculpas mudam o fato do aluno ter executado o exercício errado?
O professor esta orientando, chamando atenção para a maneira correta que se deve fazer,para que melhore, para que não se machuque.
Apenas ouça a orientação passada e atente-se na próxima vez que fizer.
Isso economiza tempo e desgaste da situação, tornando a aula mais produtiva, sem perder o foco.

Caso você ouça algo que não concorde, questione, tire dúvidas, isso é diferente de dar desculpas.

Temos sempre essa eterna necessidade de não falhar, de não aceitarmos nossos erros, de nos sentirmos diminuídos quando somos corrigidos e as vezes precisamos dar desculpas pra amenizar este sentimento.

Por mais que dancemos de queixo erguido, o aprendizado do ballet precisa de muita humildade do aluno para que ele possa evoluir.

E devemos saber ouvir nossos amigos também.
As vezes, algum companheiro de coreografia te corrige, ou te dá alguma dica e por orgulho as vezes não queremos ouví-lo, com pensamentos de "ele não é professor, quem é ele pra me corrigir?"; e perdemos dicas valiosas por causa desta postura.

O ballet é a arte de superar limites e procurar pela perfeição, então toda ajuda tem que ser bem vinda, toda correção deve ser escutada e avaliada. Ninguém chega lá sozinho ; ).




Respeito em primeiro lugar, sempre.

Grande beijo!